Sob investigação, Copa no Catar será definida por política

A história da Copa do Catar foi sempre repleta de polêmicas. O país foi o pior classificado na avaliação da Fifa, realizada em 2010. Mas, quando os votos foram revelados, o menor país a jamais receber uma Copa superou gigantes como Austrália, Japão e EUA.

Investigações se proliferaram na Fifa, na Justiça da Suíça, Espanha, França e EUA, com revelações de como cartolas como Ricardo Teixeira e Julio Gordona receberam supostamente recursos em troca de votos. Apurações também indicam que mesmo a seleção brasileira possa ter sido usada em amistosos, para justificar pagamentos ilegais aos dirigentes.

Ao Estado, o ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter, deixa claro que todo o caos gerado com as prisões dos delegados da entidade apenas ocorreu por conta da escolha do Catar, em detrimento dos americanos.

“Isso ocorreu por conta da intervenção da política francesa, do presidente da França (Sarkozy), que se encontrou no Palácio do Eliseu com o príncipe herdeiro do Catar e que hoje é o emir”, contou. “Depois daquilo, Michel Platini veio até mim e me disse: “Desculpe-me Sepp, não posso garantir mais meus votos para os EUA”. Se isso tivesse ocorrido, não estaríamos nessa situação caótica como está ocorrendo nos EUA, com o julgamento”, apontou.

A escolha não gerou apenas um caos legal. A Fifa passou a ser acusada de ser conivente de um sistema trabalhista que viola direitos humanos e, diante do calor do verão no Golfo, a Copa teve de ser modificada para novembro, afetando todo o calendário internacional.

Fora dos estádios, os negócios se proliferam e os contratos estão sendo fechados numa velocidade cada vez maior. Documentos internos da entidade obtidos com exclusividade pela reportagem revelam que a Fifa espera atingir uma receita recorde de US$ 6,6 bilhões com a Copa de 2022. O valor é US$ 1 bilhão a mais que se garantiu na Copa de 2014, no Brasil, o que faz outras considerações sociais perderem a força nos debates internos da organização.

17/07/2018